Voltar ao blogPor que proteger a marca da sua empresa no INPI (e o que acontece se não proteger)

Influencer: Se Você Não Registrou Sua Marca, Alguém Vai Roubar Seu Nome (e a Lei Permite)

Em 2023, uma influenciadora brasileira com mais de 2 milhões de seguidores descobriu que seu nome artístico — aquele que ela usava há 5 anos em todas as redes — havia sido registrado no INPI por um completo desconhecido. De um dia para o outro, recebeu uma notificação extrajudicial exigindo que parasse de usar o próprio nome. Sem registro, ela não tinha nenhum direito legal sobre a marca que ela mesma construiu. **O caso não é isolado.** Segundo dados do INPI, os pedidos de registro de marca relacionados a atividades digitais cresceram **mais de 40% entre 2021 e 2025**. E dezenas de criadores de conteúdo perdem o controle sobre seus nomes todos os anos. A razão é simples e brutal: no sistema brasileiro de marcas, **quem registra primeiro é dono**. Não importa quem criou, quem ficou famoso ou quem tem mais seguidores. Importa quem foi ao INPI primeiro. A **Suindara Consultoria**, com mais de **559 registros e atendimentos de PI realizados**, explica exatamente como proteger seu maior ativo.

10 min de leitura
T&
Torres & Loiola Advogados

No Brasil, Quem Registra Primeiro É Dono

Você passou anos construindo sua audiência. Criou conteúdo todo dia, negociou com marcas, virou referência no seu nicho. Seu nome virou sinônimo do que você faz. Mas aqui vai a verdade que ninguém te conta nos cursos de marketing digital: se você não registrou sua marca no INPI, ela não é sua.

O Brasil adota o sistema atributivo de marcas. Isso significa que a propriedade de uma marca nasce com o registro, e não com o uso.

O artigo 129 da Lei 9.279/96 (Lei de Propriedade Industrial) é claro:

Art. 129. A propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido, conforme as disposições desta Lei, sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional (...).

Traduzindo: não importa se você usa aquele nome há 10 anos. Se outra pessoa registrar antes, ela passa a ter o direito legal de te impedir de usar o seu próprio nome artístico.

Dados do mercado:

  • O Brasil é o 5º maior mercado de influenciadores digitais do mundo

  • Mais de 500 mil criadores de conteúdo no Brasil faturam com sua imagem

  • Menos de 15% possuem registro de marca no INPI (estimativa do setor)


O Que Acontece Quando Alguém Registra Seu Nome Antes de Você

O oportunista que registra nomes famosos

Existe um fenômeno conhecido como brand squatting (ocupação de marca): pessoas que monitoram influencers em ascensão e correm para registrar seus nomes no INPI. O objetivo? Vender o registro de volta por valores absurdos ou lucrar com a confusão.

Casos reais mostram negociações que chegam a R$ 50.000 ou mais para reaver o direito sobre o próprio nome.

O ex-sócio que fica com tudo

Outro cenário comum: dois amigos criam um canal juntos. Um deles registra o nome no INPI em nome próprio. Quando a sociedade se desfaz, quem tem o registro fica com a marca — e o outro fica sem nada.

A empresa que "sequestra" seu nome

Marcas e agências incluem cláusulas obscuras que permitem o registro do nome do influencer em nome da empresa. O criador assina sem ler, e quando o contrato termina, descobre que não pode usar o próprio nome comercialmente.

O princípio da anterioridade

Tudo isso é possível por causa do princípio da anterioridade, consagrado no artigo 129 da Lei 9.279/96. O primeiro a depositar tem prioridade — mesmo que não tenha sido o primeiro a usar.

Existe uma exceção limitada: o direito de precedência (art. 129, §1º):

§ 1º Toda pessoa que, de boa fé, na data da prioridade ou depósito, usava no País, há pelo menos 6 (seis) meses, marca idêntica ou semelhante, para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim, terá direito de precedência ao registro.

Mas provar isso na prática é caro, demorado e incerto. Registrar primeiro é sempre a melhor estratégia.


Como Funciona o Registro de Marca no INPI: Passo a Passo

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) é o órgão federal responsável pelo registro de marcas. O processo tem etapas bem definidas:

1. Busca prévia de disponibilidade

Antes de tudo, verificar se o nome já não pertence a outra pessoa. A busca analisa:

  • Marcas idênticas na mesma classe ou em classes afins
  • Marcas semelhantes que possam causar confusão ao consumidor
  • Impedimentos legais (art. 124 da Lei 9.279/96 lista 23 proibições)
Importante: Depositar sem busca prévia é jogar dinheiro fora — se já existir marca igual ou semelhante, o pedido será indeferido e as taxas pagas não são reembolsadas.

2. Depósito do pedido

O depósito é feito pelo sistema e-INPI (100% online) e inclui:

  • Formulário com dados do titular
  • Descrição dos produtos e serviços (Classificação de Nice)
  • Imagem da marca (se figurativa ou mista)
  • Pagamento da GRU (taxa de depósito)

3. Exame formal e publicação

O INPI publica o pedido na Revista da Propriedade Industrial (RPI). Terceiros têm 60 dias para apresentar oposição (art. 158 da Lei 9.279/96).

4. Exame de mérito

O examinador analisa: distintividade, licitude, disponibilidade e veracidade. Aqui o pedido pode ser deferido ou indeferido.

5. Concessão do registro

Se aprovado, o titular paga a taxa de concessão e recebe o certificado, válido por 10 anos, renováveis indefinidamente (art. 133 da Lei 9.279/96).

Fluxograma do processo

EtapaPrazo MédioO Que Acontece
Busca prévia1-3 diasAnálise de viabilidade
DepósitoImediatoProtocolo no INPI
Publicação3-6 semanasAbertura para oposição
Prazo de oposição60 diasTerceiros podem contestar
Exame de mérito4-8 mesesAnálise pelo examinador
ConcessãoApós deferimentoPagamento e certificado
Total6-12 mesesRegistro completo

Classes relevantes para influencers

Classe NiceAbrangeEssencial Para
Classe 35Publicidade, marketing, promoção de vendasQuem faz publi e parcerias
Classe 41Educação, entretenimento, conteúdoProdutores de conteúdo, cursos, podcasts
Classe 38Telecomunicações, streamingLives e comunicação digital
Classe 25Vestuário, calçadosLinha de roupas ou moda
Classe 03Cosméticos e perfumariaInfluencers de beleza
Classe 09Apps, software, conteúdo digitalQuem cria produtos digitais
A escolha das classes certas é estratégica. Registrar em classes demais gera custo desnecessário; registrar em poucas deixa brechas perigosas.

Quanto Custa Registrar Sua Marca

Taxas oficiais do INPI (por classe, valores 2026)

EtapaPessoa Física / ME / MEIPessoa Jurídica
Taxa de depósito~R$ 166,00~R$ 355,00
Taxa de concessão~R$ 298,00~R$ 745,00
Total por classe~R$ 464,00~R$ 1.100,00
Pessoas físicas, MEIs e microempresas têm desconto de até 60%.

Um influencer pessoa física pode registrar sua marca em uma classe por menos de R$ 500 no total.

O custo de NÃO registrar

ConsequênciaCusto Estimado
Perder o direito de usar seu próprio nomeInestimável
Processo judicial para recuperar a marcaR$ 10.000 a R$ 100.000+
Rebranding completoPerda de seguidores + identidade + contratos
Negociação com quem registrou primeiroR$ 10.000 a R$ 50.000+ (valores arbitrários)
Perda de contratos de licenciamentoFaturamento recorrente inteiro
ROI do registro: Para cada R$ 1 investido em registro de marca, o retorno em proteção patrimonial e capacidade de monetização é estimado em R$ 50 a R$ 200 ao longo de 10 anos, considerando licenciamento e proteção contra uso indevido.

5 Motivos Para Registrar Agora (e Não Depois)

Com o registro, você tem direito exclusivo de uso em todo o território nacional, nas classes registradas. Uso não autorizado configura violação de marca (art. 189 da Lei 9.279/96), passível de ação judicial com indenização.

2. Aumento do valor de mercado

Uma marca registrada é um ativo patrimonial mensurável. Influencers com marca registrada fecham contratos maiores — a marca demonstra profissionalismo e seriedade.

3. Poder de negociação com marcas e plataformas

Permite licenciamento, franquias e parcerias de longo prazo com segurança jurídica. Você pode impedir uso não autorizado do seu nome e cobrar por isso.

4. Licenciamento e monetização

Com marca registrada, você pode licenciar o uso do seu nome para terceiros fabricarem produtos — cosméticos, roupas, acessórios, cursos — gerando royalties recorrentes. Sem registro, esse modelo simplesmente não funciona legalmente.

5. Herança e continuidade digital

Sua marca registrada pode ser transferida, vendida ou herdada. Sem registro, o nome morre com a atividade — ou qualquer pessoa pode se apropriar.

Perguntas Frequentes

Posso registrar meu nome artístico no INPI?

Sim. O INPI aceita registro de nomes artísticos, pseudônimos, nomes de canais, bordões e qualquer sinal distintivo. O requisito principal é a distintividade — capacidade de diferenciar seus produtos ou serviços. Nomes genéricos ou puramente descritivos (como "Receitas Fáceis" ou "Moda Feminina") tendem a ser indeferidos por falta de distintividade (art. 124, VI, da Lei 9.279/96). Nomes criativos e originais têm alta chance de aprovação.

E se alguém já registrou meu nome no INPI?

A situação é delicada, mas nem sempre irreversível:

  • Nulidade administrativa: Se o registro foi de má-fé ou viola dispositivo legal, pode-se pedir nulidade ao INPI em 180 dias da concessão (art. 168 da Lei 9.279/96)
  • Ação judicial de nulidade: Pode ser proposta a qualquer tempo durante a vigência (art. 174)
  • Direito de precedência: Se você comprova uso de boa-fé há pelo menos 6 meses antes do depósito (art. 129, §1º)
  • Negociação: Compra ou cessão do registro pode ser a solução mais rápida
O ideal é agir rápido e com apoio profissional especializado.

Registro no Instagram basta para proteger meu nome?

Absolutamente não. O registro de @username em qualquer plataforma não confere nenhum direito de propriedade sobre a marca. As plataformas podem mudar regras, suspender contas ou permitir nomes semelhantes. O único registro que garante proteção legal em todo o Brasil é o registro no INPI. Redes sociais são canais de distribuição; o INPI é o cartório da sua marca.

Preciso de CNPJ para registrar uma marca?

Não. Pessoas físicas podem registrar, desde que comprovem atividade compatível. Para influencers: contratos de publicidade, comprovantes de recebimento de plataformas, declaração de atividade autônoma. Além disso, pessoas físicas, MEIs e MEs pagam taxas reduzidas (desconto de até 60%).

Quanto tempo leva para registrar uma marca?

O INPI tem reduzido os prazos. Atualmente, o processo completo leva de 6 a 12 meses, dependendo de oposições e exigências. Porém, a proteção começa na data do depósito — mesmo antes da concessão final, você já tem prioridade sobre depósitos posteriores.

Posso registrar meu bordão ou catchphrase?

Sim, desde que tenha distintividade suficiente para funcionar como marca. Bordões criativos e originais podem ser registrados como marca nominativa. Frases muito genéricas ou de uso comum podem ser indeferidas. A análise de viabilidade feita por um especialista em PI identifica previamente se o registro é possível.

Minha marca foi indeferida. E agora?

Se o INPI indeferiu seu pedido, você tem 60 dias para interpor recurso (art. 212 da Lei 9.279/96). O recurso é analisado pela Presidência do INPI. Motivos comuns de indeferimento incluem: semelhança com marca existente, falta de distintividade ou impedimento legal. Um especialista pode reformular a argumentação e aumentar significativamente as chances de reversão.

Registro de marca protege contra uso em outras redes sociais?

O registro no INPI protege contra uso não autorizado em qualquer meio, incluindo redes sociais, aplicativos, produtos físicos e digitais. Com o certificado de registro, você pode solicitar às plataformas (Instagram, TikTok, YouTube) a remoção de perfis que usem sua marca indevidamente — as plataformas costumam atender quando há registro formal.


Conclusão: Seu Nome É Seu Maior Patrimônio

Você não deixaria a porta da sua casa aberta esperando que ninguém entrasse. Então por que deixar seu nome — seu maior ativo profissional — desprotegido?

O registro de marca no INPI é rápido, acessível e definitivo. É a diferença entre ser dono do seu nome e ser refém de quem chegou primeiro.

A Suindara Consultoria já realizou mais de 559 atendimentos de propriedade intelectual, incluindo análises de viabilidade, registros de marca e defesa contra uso indevido. Se você é influencer, criador de conteúdo ou empreendedor digital, proteger seu nome não é opcional — é estratégico.

Não espere o problema aparecer. Quando ele aparece, já é tarde — e caro — demais.

Quer saber como podemos ajudar sua empresa?

Diagnóstico gratuito e sem compromisso. Fale com nosso time de consultores.

Atendimento por WhatsApp · Resposta em até 24h

Compartilhe este artigo

Leia Também

Contrato Social: O Documento de R$ 0 Que Pode Salvar (ou Destruir) Sua Empresa

A cena se repete todos os dias: dois amigos empolgados baixam um modelo de contrato social da internet, preenchem os campos em branco, registram na Junta Comercial e saem comemorando a abertura da empresa. Seis meses depois, um quer sair, o outro não concorda com o valor das quotas, e ninguém sabe quem decide o quê. O contrato — aquele documento "gratuito" copiado de um blog qualquer — vira a arma que destrói a sociedade por dentro. **Dados alarmantes:** segundo levantamento da Junta Comercial de SP, mais de **60% das alterações contratuais** envolvem resolução de conflitos que poderiam ter sido previstos no ato constitutivo. E o custo médio de uma dissolução litigiosa chega a **R$ 50.000**, enquanto um contrato social bem feito custa entre R$ 1.500 e R$ 5.000. Este artigo da **Suindara Consultoria** é para você que está abrindo uma empresa ou que já tem uma e nunca releu o contrato social com atenção. Aqui está o mecanismo exato que separa empresas blindadas de empresas vulneráveis.

Sócios em Guerra: 5 Erros Que Destroem Uma Empresa (e Como Resolver Antes Que Seja Tarde)

Você sabia que **cerca de 70% das empresas familiares no Brasil não sobrevivem à segunda geração**? E segundo pesquisa do SEBRAE, o motivo quase nunca é falta de mercado ou produto ruim — é conflito entre sócios. A briga silenciosa que começa com um "isso não era bem assim" e termina com portas fechadas, funcionários na rua e anos de trabalho jogados fora. Todos os dias, empresas lucrativas são destruídas não pela concorrência, mas por quem está sentado na mesma mesa de reunião. Se você tem sócio — ou pretende ter — este artigo da **Suindara Consultoria** pode ser a diferença entre construir um império ou assistir tudo desmoronar. Vamos revelar o mecanismo oculto por trás dos conflitos societários e, mais importante, a estrutura jurídica exata para blindar sua empresa antes que seja tarde demais.